Paixão de Cristo
Porangatu - GO 2025
Há trabalhos que não são apenas registros.
São travessias.
Pelo segundo ano consecutivo, tive a honra de fotografar a Paixão de Cristo de Porangatu. Um espetáculo que vai muito além da encenação, é fé colocada em cena, é devoção coletiva, é entrega absoluta de cada ator, de cada participante, de cada pessoa envolvida.
Para mim, é um dos trabalhos mais impactantes que já fotografei.
Talvez porque ali não exista apenas luz de palco e narrativa bíblica, existe verdade.
Porangatu carrega um peso especial na minha história, foi ali que minha paixão pelas artes começou a tomar forma, isso em 1992, onde minha mãe saia da Cidade de Campinorte para cursar Faculdade de Letras, e ali tive meus primeiro contato com o mundo das artes, tela pintura e cor, demorei a entender que foi ali que o meu olhar começou a se educar, onde a arte começou a ganhar espaço. Voltar a essa cidade, anos depois com uma câmera nas mãos e a responsabilidade no olhar, é fechar e abrir ciclos ao mesmo tempo.
Essa edição foi intensa em todos os sentidos.
Foram mais de cinco horas de viagem, uma noite em claro, e depois disso, atravessar toda a madrugada passando luz: cena por cena, até o amanhecer. O corpo cansado, mas o espírito atento, e no outro dia Fotografar exigiu presença, respeito e entrega, a mesma entrega que vi no palco, e por traz dele.
Cada expressão carregava fé.
Cada silêncio dizia mais do que palavras.
Cada movimento era doação.
Meu agradecimento sincero aos amigos que caminharam juntos nessa jornada, em especial ao Arthur Fernandes que topou essa turne comigo, e à Cultura de Porangatu, na pessoa de Dayane Cecí, pelo convite, pela confiança e pelo cuidado com esse projeto que é tão importante para a cidade e para todos que participam dele.
Não interferir.
Fotografar a Paixão de Cristo em Porangatu não é apenas trabalho.
É memória.
É raiz.
Porque documentar é isso: estar presente quando ninguém mais está.
Respeitar o tempo do outro.
Esperar.
Sentir.
É voltar ao ponto onde tudo começou, com mais consciência, mais silêncio e mais gratidão.












