Rio Janeiro

Algumas imagens não marcam apenas pela estética.
Marcam porque representam um tempo da vida.

Esse ensaio foi feito em 2014, no Rio de Janeiro.
Foi a primeira vez que estive na cidade. Eu ainda era um fotógrafo em construção, começando a entender meu olhar, meu ritmo e o que eu queria contar através da imagem, mas já era audacioso. Não havia fórmulas, não havia garantias, havia vontade.
O casal confiou...
E isso, pra mim, sempre foi tudo.
Fotografar aquele ensaio foi também fotografar um momento interno o de perceber que era possível ir além da minha cidade, além do que eu já conhecia. Que a fotografia poderia me levar a outros lugares, outras histórias, outras vidas, e levar comigo quem confiasse no meu olhar.
Na época, a estética era outra.
A fotografia de casamento vivia um momento diferente, menos padronizado, menos polido. Existia mais espaço para o erro, para a luz dura, para o movimento, para o improviso. E talvez por isso essas imagens ainda me toquem tanto hoje: elas carregam verdade.
Esse trabalho me marcou não apenas pelo cenário ou pela viagem, mas pelo que ele simboliza. Um começo fora de casa. Um passo dado com medo, mas também com coragem. Um “sim” que eu dei a mim mesmo.
Hoje, já não fotografo tantos casamentos como antes que chagou e mais de 50 por ano.
Mas alguns trabalhos merecem permanecer. Não por nostalgia, mas por significado. Eles ajudam a contar quem eu fui, quem me tornei e por que continuo acreditando na imagem como memória, como documento e como afeto.
Essas fotos seguem aqui, como parte da minha história.
E como prova de que toda trajetória começa pela coragem.