Sol Nascente

Esse ensaio nasceu de uma saída fotográfica junto a uma comunidade de uma igreja católica que leva alimento e sopa a uma comunidade chamada Sol Nascente, em Aparecida de Goiânia. Um território marcado por extrema escassez, próximo a um lixão comunitário, onde a vida acontece no limite.
Fotografar ali foi duro.
Crianças sujas de terra, roupas gastas, olhares cansados cedo demais. Não pela sujeira em si, mas pelo que ela revela, falta, abandono, ausência de escolha. Dói no peito porque não é distante, não é abstrato é agora, é perto, é real.
Essas imagens não foram feitas para chocar.
Foram feitas para não deixar passar.
A fotografia, nesse momento, deixa de ser estética e vira presença. Vira registro. Vira responsabilidade. É estar ali sem prometer nada, sem resolver nada, mas sem virar o rosto.
Sol nascente.
Um nome bonito demais para um lugar tão esquecido.
E talvez por isso mesmo precise ser visto.

Agradeço a oportunidade e a meu grande amigo de anos Glicerio e ao Pe. Luiz Algusto.